O cara surgiu do nada e me cutucou o braço, levantei irritada sem entender que diabo aquele infeliz poderia querer... caramba, era madrugada, meu ônibus só sairia dalí três horas, a rodoviária estava vazia e fria... será que não se pode dormir em paz nem mesmo no fim do mundo? Ele veio com uma conversa furada, me ofereceu cigarro...
- Não fumo...
Diante a negativa rispida continuou ali do meu lado, tragando e soltando fumaça. Nem quando resolvo buscar o sossego posso encontrá-lo... demasiado ruim. Ele contava sobre jogos de cartas e bebidas vagabundas... tudo intercalado com cantadas baratas. Levantei e o deixei lá. Fui p/ a rua. Sentei no meio fio e logo um cachorro magrelo e velho veio procurar algo nos meus pés... sentou-se a minha frente e ficou me fitando, parecia tentar enxergar minha alma, um tanto estranho.
Era tudo escuro e a neblina era pesada... os postes de iluminação eram poucos e eles jogavam uma luz amarela fraca, não conseguia nem avistar o chão do outro lado da rua.
Deixei tudo e todos. Levava comigo o "livro dos livros" - na minha opinião, 10 peças de roupa e quinze mil em dinheiro... naquele momento era o que eu ainda precisava. Preparava meu ânimo para "não mais querer", "não mais ter"... assim quem sabe pudesse entender e apreciar a minha vida cujo pronome possessivo soava vão, falso p/ caramba.
Desenhei na leve areia que cobria a rua com pedras, o cachorro continuava comigo mas desistira de atingir minha alma... dormia encolhido
- Ah, meu filho, ninguém mais conseguirá...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Quem diria...
Ás vezes me sinto tão perdida e desanimada que chego mesmo a sentir falta das épocas toscas da minha vida... ando sentindo falta dos domingos de almoço na minha vó seguidos por morgação infindável assistindo maratonas de série na tv a cabo ou lendo jornal, depois chegava meu pai p/ a visita de domingo e comíamos pipoca vendo uma série tosca que toda minha família adora. Tenho saudades de quando não trabalhava e estava de férias da escola e tirava um cochilo a tarde e acabava acordando de péssimo humor... Ia p/ a USP de manhazinha, pegava o trem as seis da manhã... não tinha dinheiro p/ p*rra nenhuma - só os 20 reais semanais dados pela minha mãe p/ as xerox. É, as coisas são engraçadas, damos valor aos momentos nas horas erradas...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A caixinha de fotos




Me chegou a mão uma caixinha de papelão velha e desbotada, na tampa estava escrito Mappin em vermelho. Dentro havia muitas fotos, algumas coloridas... outras preto&branco. Os tamanhos e formatos também se mostraram variados: grandonas, quadradinhas, 3x4. Nelas vi minha tia Teresa -que morreu ainda criança de meningite - dando os primeiros passos e atrás dela meu pai, tentando segurá-la. Vi meu pai-bebê sentado e sorrindo, meu pai-criança brincando em um carrinho ou com um gato ou junto de três crianças de olhos bem puxados. Ainda, havia meu avô em diferentes momentos de sua profissão de garçom - terno branco e gravata borboleta preta, impecável! Ele também foi jovem e se reunia com os amigos para jogar cartas, fumar, beber e tocar violão. A fase de criança ele também teve, de baixo de uma árvore com os irmãos e as irmãs gêmeas. Minha avó sempre linda e elegante nos idos dos anos 1950: cabelo arrumado, corpo esguio, roupa ajustada. Ela segurava meu pai-bebê com um braço e na mão estava a mamadeira. Todas essas figuras caminhavam numa área verde em diferentes anos de suas vidas. Nas fotos coloridas via-se minha mãe e meu pai - juntos. Na caixinha, bem no fundo, encontrei um recorte de jornal... era o irmão da minha avó - sindicalista e candidato a deputado... ali também estava a Certidão de nascimento da minha irmã - 06/08/1992... por último avistei uma folha de caderno - carta de meu pai ( em letra de criança) à minha avó em razão do Dia das Mães ... Os momentos e histórias por detrás daquelas fotos nunca chegarão aos meus ouvidos em detalhes, seja porque os anos apagam as recordações, seja pela falta de contato e de diálogo sentimental que tenho com as duas testemunhas daqueles fatos. Não conheço meu pai e meu avô. Minha vó e minha tia já morreram. Posso montar uma espécie de filme mental com as imagens da caixinha e fiz... faço... farei. Meu melhor presente de aniversário foi a caixinha e a possibilidade de conhecer essa família tão fechada em si. Saber que meu pai e os pais dele devem ter sofrido uma quebra profunda ao perder a criança e que meu avô e seu filho vivenciaram outro golpe perdendo a esposa e a mãe. Todos os fatos estão no passado distante mas será que são itens superados sem cicatrizes?
A caixinha do Mappin me fez filosofar sobre dias de sol e família... 1950...1960...1980...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Cumpleanõs

Faz 17 anos que o sexto dia do mês de Agosto deixou de ser "mais um dia antes do meu aniversário" para se tornar o "aniversário de minha irmã". Vê-la com 17 faz possível perceber que já passei dessa fase há tempos. Até pouco tempo ter 17 era uma espécie de passado recente, agora... agora já se foram nove anos, assim, já é passado passado, hehe. Minha memória cada dia se apaga mais então lembro de poucas coisas nossas... Ela veio algumas semanas antes do tempo, aí quando minha mãe a trouxe para casa não havia leite, fralda e banheira; ficamos as três na sala enquanto meus avós foram correndo na farmácia para providenciar tudo. Uma vez troquei a fralda dela. Quando ela tinha uns quatro anos, brincava de levantá-la com os pés até o alto...Um dia precisava treinar sombra e luz para o curso de fotografia e a explorei como modelo... ela fez várias caretas vestida de roupa de balé. O tempo passa e passa. Na verdade, aquele blablabla de que "na vida, a única certeza é a morte", para mim, pode ser substituido ou até mesmo complementado com " a única certeza é que o tempo vai passar e você nem vai notar, um dia você vai estar com medo do seu primeiro dia na escola nova, no outro você não sabe por qual curso optar no formulário do vestibular"... A roda gira tão rápido que aquela conversa de aproveitar o momento - carpe diem - também mostra-se impossível; afinal, os momentos são curtos e há muita coisa lutando para preenchê-los. Mas o interessante é que, apesar da velocidade-luz dos anos, aproveitamos nosso relacionamento de irmãs... ou seja, às vezes, dá para acertar!
Parabéns, Larissa!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Vamos tentar mais uma vez...
Esse é meu quarto blog... bom, de certa forma, pode-se considerar um fotolog uma espécie de pré-twitter, então, na realidade, essa é a quinta tentativa... Optei por retornar com o nome do segundo deles. O "Opiniões & opiniões" original foi um grande amigo, um ótimo espaço para exercitar a escrita e as neuras adolescentes e vestibulandas. Lembro do lay-out amarelinho. Era tudo simples, desde os posts até a cara do negócio. Às vezes, escrevia textos literários, em outras optava por textos confessionais. Faz tempo, mais tempo do que eu queria inclusive, hehe. A minha primeira experiência bloguistica foi um blog triplo - Priscilla, Carol e eu. Escrevíamos com pseudônimos inspirados em Chaves. O nome, não tenho certeza, era Bolacha Recheada ou algo que o valha. Era divertido, ríamos bastante das m*rdas escritas ali. Depois veio o fotolog, era a chance de mostrar minhas fotos e desenhos... durou e ainda dura...podem procurar por bambix_hc. Foi um projeto legal... e marcou uma fase da minha vida. Depois voltei ao blog no livejournal... ainda existe também mas a época da minha vida era outra. Já estava mais velha e com muiitas responsabilidades. Não dava mais para postar com frequência. Corria para ele só quando a inspiração vinha e me acertava. E hoje me deu vontade de voltar a escrever. Mas precisava de um espaço novo para marcar uma nova fase da minha vida. Agora tenho mais responsabilidades ainda - afinal, não é fácil trabalhar, cuidar de um bebê, cuidar de mim, cuidar do meu namorado e ter inspiração e ânimo para escrever. Anyway, vamos tentar...
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